Ataques de pânico: um mal que se alimenta do nosso estilo de vida

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Ataques de pânico: um mal que se alimenta do nosso estilo de vida


Os ataques de pânico são uma “epidemia silenciosa” que se espalha pela nossa sociedade. Exacerbados pelo estresse e pelas experiências que não foram assimiladas e processadas de forma adequada – porque na nossa sociedade não há tempo para isso – infelizmente são cada dia mais comuns e tratados cada vez mais tarde. De fato, a pessoa só costuma pedir ajuda profissional quando está totalmente disfuncional, e não quando sente que o problema está começando.

Entre os sintomas estão: sudorese, taquicardia ou batimentos acelerados, sensação de irrealidade, agitação, calor, calafrios, medo de morrer, entre outros. Assim, vemos que os sintomas fisiológicos recorrentes estão presentes em muitos transtornos de ansiedade, embora com a particularidade de que o gatilho não é claro e que a antecipação do próprio ataque pode até ser o gatilho.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), três em cada dez pessoas sofrem de ataques de pânico. Isto quer dizer que cerca de 30% dos seres humanos sofrem com este problema. A OMS estima que cerca de 6 milhões de pessoas fazem uma consulta todos os anos por causa de um ou vários dos sintomas de pânico, dos quais 1 milhão apresentam o quadro completo e estão em tratamento.


 “O pânico é mais contagioso do que a peste, e se comunica em um instante.”


Este sintoma é relativamente novo. Apenas em  1980 ele foi considerado um mal-estar com identidade própria. Isso aconteceu depois de milhares de profissionais da saúde mental no mundo terem reportado que o número de pessoas que os consultavam por esses acessos súbitos de terror cresciam cada vez mais. Eles não se encaixavam dentro de outros quadros de ansiedade, e por isso foi dado o nome de “ataques de pânico”.

Ataques de pânico: uma experiência assustadora

A pior parte do pânico contemporâneo é o fato de que ele se apresenta de forma completamente arbitrária. Uma pessoa pode ir tranquilamente caminhando pela rua e experimentar repentinamente os mesmos sintomas de um infarto ou de uma “experiência fulminante”. Nestes momentos é como se você olhasse diretamente para a morte. De fato, na maior parte das vezes você sente que começou um episódio que pode terminar em um desfecho fatal.


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A primeira dificuldade é que se a pessoa não está informada do que é um ataque de pânico, certamente ela irá supor que se trata de uma doença física que está se manifestando. O mais comum é que a pessoa consulte primeiro vários médicos, sem que nenhum deles lhe dê a razão por trás do mal que a afeta.

A situação se torna muito angustiante. A pessoa pensa que está muito doente e que os médicos não detectam nada. Assim, ela se sente abandonada na sua doença. Em geral, a vida dessas pessoas muda. Elas começam a sentir medo de sair na rua, ou de ficarem sozinhas em algum lugar.

 Elas têm medo de que os sintomas surjam outra vez e de que não tenham a quem acudir para que as “resgatem” ou ajudem nessas circunstâncias. Elas também demonstram fortes sentimentos de tristeza e frustração.

Entender o pânico contemporâneo

O pânico é um sintoma que muitas pessoas podem experimentar. Às vezes elas têm um ou dois ataques e nunca mais voltam a apresentá-lo. Outras vezes os ataques se tornam recorrentes, e é aí que se pode dizer que fazem parte de um transtorno de ansiedade propriamente dito. Sempre está acompanhado de fortes doses de angústia, devido ao fato dos sintomas serem repentinos e por causa da dificuldade para encontrar os seus gatilhos.

O mais desconcertante de tudo é que vários estudos estabeleceram que o tipo de personalidade propenso a sofrer ataques de pânico é, no geral, o de pessoas que passaram por episódios complexos ou dificuldades em sua vida e sempre mantiveram o controle.

São pessoas que tendem a resolver seus problemas e a avançar em meio às dificuldades. Por isso, quando o pânico aparece, elas ficam relutantes em assumir que algo está fora do seu controle. Custa muito para elas admitir que o que está acontecendo tem origem na sua mente, e não no corpo.

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O pior é que a grande maioria dessas pessoas só consulta um profissional de saúde mental depois de vários anos lidando com os sintomas. Elas fazem isso depois de terem passado por várias consultas de médicos gerais ou especializados, mas não no campo da saúde mental, que não conseguiram lhes dar uma resposta.

Como o pânico transforma suas vidas, elas desenvolvem outros problemas como depressão, desconfiança, irritabilidade e inquietude constante. Isto traz também novos problemas com elas mesmas e com o ambiente que as rodeia, de forma que na hora de iniciam um tratamento, em geral, o quadro já está bastante avançado.

Muitos pensam que os ataques de pânico surgem apenas nas pessoas que vivem em grandes cidades, mas isto não é verdade. Embora eles sejam mais frequentes nos ambientes urbanos, as pessoas que vivem ou passam a maior parte do tempo em ambientes rurais também sofrem disso.

Determinadas correntes na psicologia afirmam que a aparição do pânico decorre de uma experiência ou um conflito que está latente no interior e não foi resolvido. Daí a importância da psicoterapia formal para abordar esta situação complexa.

 


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