O que fazer quando a criança fala errado

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O que fazer quando a criança fala errado

Muita gente acha bonitinho ouvir uma criança falando errado. Realmente é, mas não podemos deixar que isso vire uma “patologia” fonoaudiológica! Na maioria das vezes, pronunciar as palavras de maneira errada, sem um “L” ou um “R”, faz parte do desenvolvimento normal de meninos e meninas, mas, se as trocas e as omissões de sons permanecem depois dos 3 anos, pode se tornar um problema no futuro ou até mesmo indicar uma doença mais grave.

Para que isso não ocorra, ao detectar alguma alteração, o fonoaudiólogo deve ser procurado, para uma avaliação e, se necessária, uma terapia precoce – normalmente são tratamentos muito mais rápidos, pois os fonemas ainda não estão instalados.

Gosto muito de contar, quando dou meus cursos, uma história que aconteceu comigo: Quando eu morava em São Paulo, uma mãe me procurou para que eu resolvesse o “problema” que sua filha tinha. A menininha, de 3 anos, chegou ao consultório falando:

– Doutola, eu não consigo falá nem Maliana, nem blinco, nem plaia! Você me ajuda, pufavô?

Eu achei liiiindo demais, mas tinha que “consertar” isso, e em três meses, atendendo a pequena duas vezes por semana, com o apoio da mãe com os exercícios que eu propunha em casa, conseguimos o resultado esperado!! Ela começou a falar tudo com o /r/ brando… Até palavras que deveria falar com l como “BLUSA”, ela dizia “BRUSA”.

A mãe, desesperada, me perguntou o que eu ia fazer. Isso é muito normal, respondi imediatamente! As crianças que não conseguem falar o /r/ brando, quando começam, normalmente ficam “experimentando” esse som em todas as palavras que podem, até organizar-se e começar a falar certo – e isso acontece rapidamente, com a ajuda das pessoas que convivem com ela!

 

Os problemas mais comuns na fase inicial do desenvolvimento da fala:

 

– Atrasos de linguagem:

As primeiras palavras costumam aparecer entre 1 ano e 1 ano e meio;
As primeiras frases, geralmente bem curtas, aos 2;
É bom ficar atento se a criança foge desse padrão ou, ainda, se ela começa a falar e depois para, sem continuar evoluindo.

– Trocar sons:

Até os 3 anos esperamos que a criança fale tudo, e ainda pode fazer trocas de alguns fonemas. Se depois dessa idade ela continuar substituindo o ele pelo erre, por exemplo, o ideal é levá-la ao especialista.

 

– Gagueira:

O pequeno pode receber uma grande descarga de neurotransmissores, moléculas que podem demandar tempo para ser equalizadas pelo cérebro. É por isso que às vezes gagueja enquanto procura o termo certo.

– Língua presa:

Até os 4 anos, é normal. A boca ainda cresce um pouco e o nascimento dos primeiros dentes definitivos cria espaço para a língua se acomodar, mas é interessante se certificar de que não se trata de algum problema na arcada ou na tonicidade dos músculos da boca.

E se for surdez?

Entre os riscos da demora em identificar problemas na comunicação infantil está, além do óbvio atraso para encontrar uma solução, a possibilidade de passar despercebido um caso de surdez ou outros transtornos globais, como autismo.
Não existe marcador claro para dizer se a criança se encaixa ou não em um desses casos. Tudo é sintoma.

Assim, quanto mais precoce o diagnóstico, melhor, pois a alfabetização será mais fácil, a adaptação com aparelhos auditivos pode ser melhor e a quantidade de sessões de terapia, menor.

É importante que os pais levem dúvidas e alertas para o consultório, sem esperar, em silêncio, que o próprio especialista note algo diferente na hora do exame.

E, claro, para que apresentem informações pertinentes, devem permanecer atentos.

A mãe e o pai precisam observar as habilidades do filho para imitar movimentos e sons da fala, mostrar objetos e compreender ordens simples, como bater palma.

Um erro é fatal:

Comunicar-se de uma maneira infantilizada com a garotada, o que só atrapalha, afinal, os pequenos repetem o que ouvem. É a fala do adulto, mais evoluída, que permite que a aquisição da linguagem progrida. Conversar com a criança, e não por ela, é a primeira atitude que os pais devem tomar.

Tratamento:

Quando há um problema, o tratamento geralmente consiste em terapia fonoaudiológica, que se vale de brinquedos para facilitar o contato com o especialista da área, e aconselhamento familiar – afinal, em casa, todos devem colaborar. A duração varia conforme o caso.

E, enquanto o tratamento dura, correções e broncas nunca são bem-vindas. Se a criança gagueja e é repreendida, as palavras vão sair cada vez mais aos tropeços ou, por medo de errar, o silêncio infantil será a norma.

Repetir o certo basta. Cuidar dos ouvidos, e de possíveis infecções, também está relacionado ao desenvolvimento adequado da linguagem. Afinal, para falar, a gente precisa ouvir bem.

 


Por Luisa Bei Catoira - Fonte: Portal Educação

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